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Tuesday, December 29, 2015

Urgente Apelo ao Papa Francisco para que Mude de Curso, ou Renuncie ao Papado

Written by  The Remnant
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8 de Dezembro de 2015

Festa da Imaculada Conceição


Vossa Santidade,
O Papa Celestino V (1294), reconhecendo a sua incapacidade para o ofício para o qual tinha sido eleito tão inesperadamente, sendo ele o eremita Pedro de Morrone, e vendo o grave dano que o seu mau governo tinha causado, renunciou ao papado após um pontificado de apenas cinco meses. Foi canonizado em 1313 pelo Papa Clemente V. O Papa Bonifácio VIII, removendo toda a dúvida em relação à validez de um tal acto extraordinário por parte dum papa, confirmou perpetuamente (ad perpétuam rei memóriam) que «o Sumo Pontífice pode livremente demitir-se».

Um número cada vez maior de católicos, incluindo cardeais e bispos, têm vindo a reconhecer que o vosso pontificado, também resultante de uma eleição inesperada, está de igual forma a causar grave dano à Igreja. Tornou-se impossível negar que vós não possuís ou a capacidade ou a vontade para fazer o que o vosso predecessor correctamente afirmou àcerca da missão do papa: «submeter-se constantemente, a si e à Igreja, à obediência à Palavra de Deus, contra qualquer tentativa de adaptá-la ou diluí-la, e toda a forma de oportunismo».

Muito pelo contrário, como demonstrado no libellus anexado, vós tendes dado muitas provas de uma preocupante hostilidade aos ensinamentos, disciplina e costumes tradicionais da Igreja, e aos fiéis que a tentam defender, enquanto mostrais preocupação com questões sociais e políticas que estão para além da competência do Sumo Pontífice. Como consequência, os inimigos da Igreja continuamente se deleitam no vosso pontificado, exaltando-vos acima de todos os vossos predecessores. Esta situação apavorante não tem paralelo na história da Igreja.

No ano passado, falando da renúncia do Papa Bento XVI, Vossa Santidade declarou que se vos sentísseis incapaz de exercer o papado: «farei o mesmo». No primeiro aniversário da renúncia de Bento XVI, vós convocastes os fiéis para «que se juntem a mim em oração por Sua Santidade Bento XVI, um homem de grande coragem e humildade».

Com grande temor, estando sob o olhar d’Aquele que nos há-de julgar a todos no Último Dia, nós vossos súbditos, respeitosamente, pedimos a Vossa Santidade que mudeis de curso para o bem da Igreja e das almas. Se não o fizerdes, não seria mais apropriado Vossa Santidade renunciar ao papado, do que presidir sobre o que ameaça ser um compromisso catastrófico da integridade da Igreja?

A este respeito fazemos nossas as palavras de Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, na sua famosa carta ao Papa Gregório XI, incitando-o a conduzir a Igreja com rectidão durante uma das suas maiores crises: «Uma vez que Ele vos deu autoridade e vós a assumistes, devíeis usar a vossa autoridade e poder: e se não a quereis usar, seria melhor para vós renunciar ao que assumistes…»

Santa Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós!

Vossos súbditos em Cristo,

Christopher A. Ferrara

Michael J. Matt

Dr. John Rao

Professor Brian McCall

Elizabeth Yore

Timothy J. Cullen

Juíz Andrew P. Napolitano

Chris Jackson

Eric Frankovitch

Michael Lofton

Father Celatus

Connie Bagnoli

Susan Claire Potts

Robert Siscoe

John Salza, Advogado

James Cunningham

Vincent Chiarello

John Vennari
 

Adicione o seu nome à petição no fim deste documento. Não é necessária qualquer outra informação pessoal e o seu nome não aparecerá online.


Libellus

O vosso predecessor Bento XVI, sentando-se pela primeira vez na Cátedra de S. Pedro, lembrou aos fiéis que «o Papa não é um monarca déspota cujos pensamentos e desejos são lei», mas antes que «o ministério do Papa é uma garantia de obediência a Cristo e à Sua Palavra». Por consequência, disse Bento XVI, um papa «não deve proclamar as suas próprias ideias, mas antes submeter-se constantemente, a si e à Igreja, à obediência à Palavra de Deus, contra qualquer tentativa de adaptá-la ou diluí-la, e toda a forma de oportunismo».

O curso do vosso pontificado até agora leva-nos a declarar publicamente que vós tendes falhado em respeitar a natureza do ofício papal, abusando dele duma maneira que a Igreja jamais testemunhou. Por este meio vimos apresentar a Vossa Santidade os principais assuntos que têm causado alarme por todas as classes da Igreja, e que motivaram esta petição.

Em primeiro lugar, em vez de proclamar o perene ensino da Igreja com respeito à Palavra de Deus, vós constantemente proclamais as vossas próprias ideias, em homilias, conferências de imprensa, comentários imprevistos, entrevistas com jornalistas, em vários tipos de palestras, e em leituras idiossincráticas da Sagrada Escritura. Estas ideias, abrangendo do perturbante ao claramente heterodoxo, estão bem representadas no vosso manifesto pessoal, Evangélii Gáudium. Este documento contém um número de proclamações espantosas como nunca um Sumo Pontífice tenha ousado proferir. Entre estes está o vosso «sonho… de transformar tudo, de forma a que os costumes da Igreja, as maneiras de fazer as coisas, horas e horários, linguagem e estruturas, possam ser convenientemente canalizadas para a evangelização do mundo de hoje, em vez de para a sua preservação». É incrível que um Sumo Pontífice se refira a uma inexistente oposição entre a preservação da Santa Igreja Católica e a sua missão no mundo.

Em segundo lugar, em vez de vos submeterdes, e à Igreja, à obediência à Palavra de Deus, repetidamente tendes censurado tradições apostólicas e eclesiásticas, juntamente com os fiéis que as defendem. Também nisto Evangélii Gáudium resume o vosso pensamento: «Mais do que pelo medo de nos transviarmos, a minha esperança é que sejamos motivados pelo medo de permanecermos fechados dentro de estruturas que nos dão um falso sentimento de segurança, dentro de regras que fazem de nós juízes severos, em hábitos que nos fazem sentir seguros, enquanto à nossa porta pessoas estão famintas e Jesus não se cansa de nos dizer: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» (Mc 6,37)

A mente Católica fica estupefacta frente ao espectáculo de um Sumo Pontífice a rebaixar a constituição, doutrinas e costumes da Igreja como meras “estruturas”, “regras” e “hábitos” que subtraem aos fiéis o sustento espiritual, deixando-os a morrer de fome à porta da Igreja. Ousais dizer isto da mesma Igreja que construíu e transformou civilizações inteiras, nutrindo inúmeros santos, ordens religiosas, vocações sacerdotais e religiosas, e institutos de caridade para a salvação das almas e obras de misericórdia corporais incomparáveis.

Ao mesmo tempo, vós tendes escarnecido dos fiéis que defendem as tradições da Igreja tão frequentemente, que um observador coligiu um “Pequeno Livro de Insultos” relatando os muitos exemplos deste assalto verbal sem precedentes dum papa contra os seus próprios súbditos. Entre os vários epítetos que tendes lançado contra católicos observantes, com total despreocupação, estão estes: “fundamentalistas”, “fariseus”, “pelagianistas”, “triunfalistas”, “gnósticos”, “nostálgicos”, “cristãos superficiais”, “grupo dos escolhidos”, “pavões”, “sofistas moralísticos”, “uniformistas”, “soberbos, autosuficientes”, “aristocratas intelectuais”, “morcegos cristãos que preferem as sombras do que a luz da presença do Senhor”, etc.

No entanto, nem uma só palavra rigorosa proferistes contra os inimigos declarados das doutrinas da Fé ou os depravados sexuais que infestam a hierarquia Católica. Pelo contrário, declarastes «Quem sou eu para julgar?» com respeito a “pessoas homossexuais” entre os clérigos, e em particular ao notório clérigo homossexual que fizestes cabeça da vossa própria casa, e que demonstra uma revoltante familiaridade com a vossa pessoa. Vós tendes concedido audiências largamente publicitadas a pervertidos sexuais, incluindo transsexuais e homossexuais, preparando estes encontros pessoalmente, por telefone. Vós tendes reabilitado e até premiado com cargos de prestígio, a teólogos da libertação, que foram silenciados e suspensos pelos vossos dois imediatos predecessores, a promotores da homossexualidade, e a prelados que cobriram crimes sexuais de sacerdotes homossexuais.

O Evangélii Gáudium resume adequadamente o patente desprezo – sem precedentes nos anais do papado – que tendes para com os defensores de rectidão doutrinária e litúrgica. Vós ridicularizais «uma ostensiva preocupação com a liturgia, com a doutrina e com o prestígio da Igreja» e temerariamente acusais os católicos zelosos pela tradição de «não terem qualquer interesse que o Evangelho tenha um verdadeiro impacto no povo fiel de Deus e nas necessidades concretas de hoje», caricaturizando-os cruel e injustamente como pessoas que reduziriam a Igreja a «uma peça de museu ou algo que é a propriedade de uns poucos escolhidos».

Um momento profundamente revelador do vosso desdenho neste sentido foi a vossa humilhação dum menino de altar, difundida para o mundo inteiro e memorizada na Internet. Estando ele em postura de oração, mãos juntas, à entrada das grutas do Vaticano, que vós visitáveis, vós separastes as mãos dele, e zombando dele dissestes: «As tuas mãos estão coladas uma à outra? Ah, parece que estão presas!» Para seu louvor, o rapaz voltou a juntar as mãos imediatamente, voltando ao comportamento apropriado à dignidade da ocasião e em linha com uma boa formação espiritual. Mas há que pensar que efeito terá esta humilhação pública, agora permanentemente acessível ao mundo inteiro, na vida espiritual dum tenro jovem.

Em talvez o mais injurioso dos vossos insultos aos fiéis, Evangélii Gáudium denuncia os católicos tradicionais como aquilo que supondes ser «um neopelagianismo autocentrado e prometeico». Presumindo das suas disposições interiores, declarais que estes católicos «sentem-se superiores aos outros porque observam certas regras ou permanecem intransigentemente fiéis a um estilo particular de Catolicismo do passado» – como se a nossa santa religião envolvesse “estilos” que se tornam desactualizados como as modas de roupa. Até ides ao ponto de zombar duma «suposta solidez doutrinária ou disciplinar» como «elitismo narcisista e autoritário, pelo qual em vez de evangelizar, analisam-se e classificam-se os outros…»

Por amor à verdade e à justiça, Santo Padre, temos de admitir que parece que vós mesmo tendes passado muito tempo a analisar, classificar e na verdade a julgar os outros – para a crescente consternação e humilhação dos vossos súbditos, que nunca viram tal comportamento por parte dum Pontífice. E este comportamento não mostra sinais de esmorecer. Recentemente, durante uma conferência sobre a formação sacerdotal, mencionastes – com risada por parte da audiência – que tendes «medo de sacerdotes rígidos… Eu mantenho-me longe deles. Eles mordem!» Qual é a razão para tal retórica escarnecedora senão para humilhar e marginalizar os sacerdotes que ainda têm a coragem de defender as doutrinas impopulares da Igreja, sem compromisso, num mundo em guerra contra Deus e a Sua Lei? Não é de surpreender que a imprensa aclame o vosso pontificado!

Mas mais do que palavras, Santo Padre, vós tendes dirigido perseguição aberta a ordens religiosas que têm a intenção de restaurar a ortodoxia, a piedade sóbria, a vida interior e a tradição litúrgica, no meio daquilo a que o vosso predecessor designou como as “calamidades” e “sofrimentos” que a Igreja tem padecido em nome do Concílio Vaticano II, incluindo «o fecho de seminários, de conventos, liturgia banalizada…» Pelas vossas próprias ordens, a florescente congregação dos Frades Franciscanos da Imaculada foi destruída por causa daquilo a que o vosso comissário apostólico (que mais tarde morreu com um A.V.C.) chamou uma «clara tendência tradicionalista». As associadas Irmãs da Imaculada foram de igual modo colocadas sob um comissário apostólico por causa de “desvios” que consistem numa suposta formação “pré-conciliar” – isto é, a liturgia tradicional e a vida conventual tradicional, como se estas coisas santas fossem contágios a ser expurgados da Igreja como uma doença. Estas são acções de um ditador motivado por uma ideologia, não um guardião paternal do património sagrado da Igreja.

No entanto, depois de uma longa investigação e processo disciplinar de vários anos, iniciado pelo Papa Bento XVI, sob a vossa supervisão a Conferência de Líderes Religiosas (LCWR) tem sido caiada e poupada a qualquer disciplina, não obstante o seu apoio ao aborto, eutanásia, e “casamento homossexual”, e a sua conhecida promoção daquilo a que o Cardeal Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, descreveu como «erros fundamentais relativamente à omnipotência de Deus, à Incarnação de Cristo, à realidade do Pecado Original, à necessidade de salvação e à natureza definitiva da acção salvífica de Cristo no Mistério Pascal».

Em terceiro lugar, na linha da vossa programada depreciação da doutrina e disciplina tradicional da Igreja e daqueles que a defendem, vós presidistes e controlastes um “Sínodo sobre a Família” que não era mais do que uma contínua tentativa de diluír ou adaptar o ensino infalível da Igreja sobre o Matrimónio, procriação e sexualidade, de modo a acomodar ao espírito rebelde da época e à imoralidade a que tem conduzido nesta nossa civilização pós-Cristã.

Em nome de “misericórdia”, os prelados progressistas que dominam o vosso círculo de conselheiros, incluindo o infame Cardeal Kasper – cujas opiniões tendes promovido desde o início do vosso pontificado – proclamam agora uma falsa disjunção entre a doutrina e a sua intrinsecamente relacionada prática pastoral, como se a Igreja pudesse proibir comportamento imoral por princípio enquanto adaptando-se a ele na prática. Como o expressou um eminente cardeal, isto «é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrénica». No entanto tornou-se o tema do vosso pontificado, à medida que incessantemente invocais a “misericórdia” contra as leis da Igreja, que vós rebaixais como “regras de mentes fechadas”, “obstáculos”, “portas fechadas” e “casuísmo”.

Os progressistas que vós pessoalmente nomeastes para o secretariado do Sínodo e para a comissão de elaboração, tal como os 45 progressistas adicionais que colocastes como membros eleitorais, incluindo o Cardeal Kasper, uniram-se para atacar a indissolubilidade do Matrimónio advogando uma admissão “caso por caso” dos divorciados e “recasados” à Sagrada Comunhão. Isto significaria a derrubada da disciplina sacramental bimilenar da Igreja, enraízada nas palavras do próprio Cristo, Nosso Senhor: «Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério…» (Lc 16,18). Esta disciplina foi reafirmada por Bento XVI e João Paulo II em face dos desafios por parte de dissidentes do ensino Católico – sendo o Cardeal Kasper o principal. É evidente que vós desejais abandonar essa disciplina, como fizestes enquanto Arcebispo de Buenos Aires e quando, mesmo como Papa, pessoalmente telefonastes a uma senhora na Argentina, casada civilmente com um homem divorciado, para lhe dizer que ela podia receber a Sagrada Comunhão não obstante o que lhe dizia o seu “rígido” pároco.

Durante a primeira sessão do Sínodo em 2014, vós pessoalmente aprovastes e mandastes publicar para o mundo, antes dos Padres do Sínodo o terem visto, um “relatório sinodal intermédio” que não tinha sido aprovado por eles e que era na verdade uma fabricação, aparentemente redigida antecipadamente, que não representava nem remotamente o seu consenso. Este documento infame apelava para um abandono “caso por caso” da disciplina da Igreja a respeito dos divorciados e “recasados” e para o “valorizar” da “orientação” homossexual. Um prelado corajoso chamou-lhe «uma mancha negra que denegriu a honra da Sé Apostólica». No entanto, depois da maioria do Sínodo o ter devidamente rejeitado, vós denunciastes os «chamados… tradicionalistas» por «quererem fechar-se com a palavra escrita… e não permitindo-se ser surpreendidos por Deus, pelo Deus das surpresas…» E depois mandastes que o mesmo documento fosse circulado pelos bispos de todo o mundo, juntamente com três parágrafos do relatório final que não obtiveram a necessária maioria, mas que vós mesmo assim mandastes incluír, tendo “rasgado o livro de regras” dum Sínodo que estava fraudado desde o início com um objectivo predeterminado, mas que pela graça de Deus falhou.

Na segunda sessão do Sínodo em 2015, vós exigistes que todas as deliberações fossem baseadas num Instruméntum Labóris tão heterodoxo que uma liga internacional de clérigos e leigos avisou que «ameaça a inteira estrutura do ensino Católico sobre Matrimónio, família e sexualidade humana…» Quando esse documento foi igualmente rejeitado pela maioria do Sínodo e substituído no último minuto por um documento comprometedor – que no entanto cria aberturas para o derrube da disciplina sacramental da Igreja – vós denunciastes «os corações fechados que muitas vezes se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja ou de boas intenções, de forma a sentarem-se na cátedra de Moisés e julgarem… casos difíceis». Isto é, condenastes os Padres do Sínodo que tinham defendido a perene disciplina sacramental da Igreja.

Na vossa patente decisão para acomodar os divorciados e civilmente “recasados”, que inexplicavelmente caracterizais como “os pobres”, mesmo antes do Sínodo de 2015 planeastes secretamente, sem consultar qualquer dicastério competente do Vaticano, uma repentina e drástica “simplificação” do processo de anulamento. Um mundialmente reconhecido canonista, reflectindo sobre o alarme disseminado com respeito a esta imprevista “reforma”, descreveu-a como «fornecendo um caminho que parece a versão Católica do divórcio de mútuo consentimento». Vós próprio abertamente reconhecestes que «não me escapou como um julgamento abreviado pode colocar em causa o princípio da indissolubilidade do Matrimónio…»

Em quarto lugar, condizendo com a vossa espantosa sugestão – prontamente aclamada pela imprensa – que a Igreja tem estado “obcecada” com «o aborto, casamento homossexual e o uso de métodos contraceptivos», por vossa própria admissão «não tenho falado muito nestas coisas, e fui repreendido por isso». Todavia estes graves males ameaçam a própria sobrevivência da nossa civilização no meio do que João Paulo II chamou uma “cultura da morte” e “apostasia silenciosa”. Enquanto bastante loquaz a respeito de vários assuntos políticos, ficastes completamente silencioso quando a Irlanda, em tempos Católica, legalizou o “casamento homossexual” por referendo popular, e o Tribunal Supremo dos Estados Unidos impôs esta abominação a todos os cinquenta estados.

Por outro lado, enquanto o mundo ocidental descende para um abismo de depravação e fanáticos islâmicos massacram cristãos por todo o Meio Oriente, África e no próprio centro da Europa, vós estais preocupados com a “alteração climática”. A vossa extensa encíclica Laudato Si, a única encíclica que produzistes, postula a existência duma “crise ecológica” e adopta sem critério as alegações ideologicamente motivadas, embora fortemente contestadas, da “ciência da alteração climática”, a qual um papa não tem qualquer competência para avaliar, muito menos apresentar aos fiéis como facto incontestável.

A mesma encíclica lamenta o “aquecimento global”, o uso excessivo de ar condicionado, a perda de manguezais, a suposta ameaça ao plâncton e aos vermes, e a extinção de várias plantas e animais – denunciando isto como uma ofensa a Deus – antes de alguma vez mencionar o aborto (omitindo completamente uma referência à sumamente contranatural prática da contracepção). Em relação ao aborto, a encíclica fala somente duma falta de “protecção ao embrião humano” quando na verdade o aborto é o assassínio brutal em massa de seres humanos inocentes, rasgados membro por membro dentro do útero ou apunhalados até à morte com tesouras cirúrgicas no próprio momento do nascimento.

Não é de espantar que os poderes do mundo têm universalmente aclamado Laudato Si como parte da “revolução de Francisco”, que a imprensa, incluindo a “Católica” progressista, têm louvado ao longo de todo o vosso pontificado.

Em quinto lugar, tendes constantemente rejeitado todas as diferenças doutrinais com os Protestantes como sendo insignificantes, e tendes repetidamente declarado, de forma patentemente errónea, que «todos os baptizados são membros do mesmo Corpo de Cristo, a Sua Igreja». Também aqui ignorais o ensinamento de João Paulo II, Bento XVI, e todos os papas anteriores, incluindo Pio XI, que ensinou o contrário em relação à condição dos protestantes: «Pois uma vez que o corpo místico de Cristo, da mesma forma que o Seu corpo físico, é uno, compacto e propriamente unido umas partes às outras, seria insensato e incoerente afirmar que o corpo místico é composto de membros que estão desunidos e dispersos: quem quer que não esteja, por isso, unido ao corpo não é membro desse corpo, nem está em comunhão com Cristo, a cabeça».

A este respeito pareceis descuidar da cada vez mais agravante imoralidade e heresia das mesmas seitas protestantes que se dedicam a um interminável e vão “diálogo ecuménico” com o Vaticano. Depois de cinquenta anos de “diálogo”, estas seitas aceitam o divórcio, a contracepção, o aborto, a homossexualidade e o “casamento homossexual”, pretendem ordenar mulheres e homossexuais praticantes como “sacerdotes” e “bispos”, e continuam inflexivelmente a rejeitar dogmas fundamentais da única verdadeira religião revelada por Cristo para a salvação do mundo.

Que é feito da verdade que nos torna livres? (Jo 8,32) Que é feito do testemunho de inúmeros santos e mártires que gastaram a sua substância e ofereceram as suas próprias vidas para defender e transmitir a Fé Católica em oposição aos múltiplos erros e destruição social engendradas pela revolta Protestante, cujas consequências finais se desenrolam aos nossos olhos?

Em sexto lugar, recentemente os vossos comunicados têm-se tornado cada vez mais descuidados e desordenados, causando ainda maior escândalo e apreensão entre os fiéis:

A 15 de Novembro, durante a vossa participação dominical num serviço de oração Luterano, afirmastes que os ensinamentos Católicos e Luteranos respeitantes a Cristo são “iguais”, sendo unicamente uma questão de “linguagem Católica” versus “linguagem Luterana”. Caracterizastes o dogma definido e a realidade ontológica da transubstanciação como meras «explicações e interpretações», declarando que «a vida é maior do que explicações e interpretações» – como se a “vida” fosse “maior” do que a Presença Real de Deus Incarnado no Santíssimo Sacramento, negada pelos protestantes.

Nessa mesma ocasião, sugeristes que a questão se os protestantes podem ou não receber a Sagrada Comunhão é para ser determinada pelos teólogos, quando a Igreja já determinou infalivelmente que isto é impossível sem uma conversão e profissão da mesma fé que os católicos. Afirmando que o assunto está para além da vossa “competência” – mas é exactamente da competência do Papa manter o ensinamento da Igreja a este respeito – vós sugeristes que um luterano casado com uma católica pode receber a Sagrada Comunhão depois de «falar ao Senhor», mas que não vos «atreveis a dizer mais». Mas já tínheis dito demasiado ao publicamente referir uma questão de grave importância para a salvação, à consciência privada do indivíduo, propensa a erros: «aquele que come e bebe indignamente, come e bebe a própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor» (1 Cor 11,29).

A 21 de Novembro, durante uma conferência mundial a respeito de educadores católicos, declarastes: «Nunca façam proselitismo em escolas. A educação Cristã é criar os jovens na inteira realidade dos valores humanos e um destes é a transcendência». Pelo contrário, a educação Católica é sobretudo o inculcar de valores divinos: o Evangelho e aquilo que exige dos católicos, e mesmo de todo o mundo, não meramente valores humanos ou uma vaga “transcendência” desprovida do seu verdadeiro objecto, que é o Deus que Se revelou na pessoa de Jesus Cristo, o Verbo Incarnado.

Durante a vossa ida a África, de 25 a 30 de Novembro, afirmastes que o mundo esta «à beira do suicídio» por causa da “alteração climática”. Como tendes feito durante o vosso pontificado, não abordastes a verdadeira ameaça do suicídio civilizacional do nosso tempo, observado pelo vosso grande predecessor, o Venerável Papa Pio XII: que «quase toda a raça humana está hoje a deixar-se dividir entre dois campos antagónicos, por Cristo ou contra Cristo. A raça humana está envolvida nestes dias numa crise suprema, que resultará ou na sua salvação por Cristo, ou na sua completa destruição». Por estardes constantemente a dirigir a atenção de toda a Igreja para uma “crise ecológica” mundial, fazeis com que os fiéis percam de vista a crise Cristológica que ameaça a felicidade eterna de inúmeras almas do nosso tempo.

Na conferência de imprensa dada durante o vôo de regresso a Roma, mais uma vez denunciastes os católicos “fundamentalistas”, ridicularizando as convicções religiosas absolutas de membros ortodoxos do vosso rebanho, baseadas na Palavra revelada de Deus e no ensinamento infalível do Magistério a respeito da fé e da moral:

«O fundamentalismo é uma doença que está em todas as religiões… Nós os católicos temos alguns – e não só alguns, muitos, não é? – que crêem que possuem a verdade absoluta (che si credonono con la verita assoluta) e andam a manchar os outros com calúnias, desinformação, e fazem o mal… O fundamentalismo religioso não é religioso, porque não tem Deus e é idólatra, como a idolatria do dinheiro.»

Tendo denunciado “muitos” membros do vosso próprio rebanho como idólatras ateus, mais tarde sugeristes uma equivalência moral entre cristãos e os fanáticos muçulmanos que estão a massacrar, torturar, violar, escravizar e a desterrar cristãos por todo o mundo: «Não se pode eliminar uma religião só porque há alguns ou vários grupos de fundamentalistas a dado momento na história… Pensem em todas as guerras que nós os cristãos temos feito. Não foram os muçulmanos os responsáveis pelo Saque de Roma.»

Mais uma vez humilhais a Igreja – e a vós mesmo – com um comentário inconsiderado e de todo inapropriado ao Sumo Pontífice. O registo histórico exige que corrijais o vosso desarrazoamento:

Primeiro, os muçulmanos de facto saquearam Roma, no ano 846 d.C., pilhando a antiga basílica de S. Pedro e levando a que o Papa Leão IV construísse as “muralhas Leoninas” «para defender a Sé de Pedro da jihad islâmica».

Segundo, se vos estáveis a referir ao saque de Roma de 1527 pela tropa do Imperador Carlos V, isto nada tinha a ver com “fundamentalismo” religioso, mas unicamente com retaliação política contra Clemente VII, um papa débil e vacilante, que tinha imprudentemente forjado uma aliança com o Rei de França (Francisco I), com o qual Carlos estava em guerra. Na verdade, a tropa do Imperador incluía mercenários alemães, a maioria dos quais eram luteranos, e foram eles os principais responsáveis pela devastação da Cidade Santa e a violência feita aos habitantes católicos.

Terceiro, nessa mesma época, saqueadores muçulmanos – que eram de facto “fundamentalistas” violentos – expandiam o Império Otomano pela conquista de terras cristãs, até à retumbante e milagrosa derrota da frota muçulmana na Batalha de Lepanto em 1571, que preveniu uma conquista muçulmana de toda a Europa e provavelmente mais um saque muçulmano a Roma.

Provocando ainda mais escândalo, em resposta à questão de se a Igreja deveria “mudar a sua posição” no que respeita à imoralidade da contracepção, para permitir o uso de preservativos como método para limitar novas infecções por HIV, referistes-vos a esta prática iníqua como «um dos métodos», parecendo assim legitimizá-la, ao mesmo tempo sugerindo que apresenta um dilema moral para a Igreja, ao ponto de a comparares a Nosso Senhor curando no Sábado:

«A questão parece-me demasiado insignificante, e também me parece ser uma questão parcial. Sim, é um dos métodos. E a moralidade da Igreja encontra-se neste ponto, penso eu, diante duma perplexidade. Portanto, o Quinto ou o Sexto Mandamento? Defender a vida [com preservativos!], ou que as relações sexuais sejam abertas à vida? Mas este não é o problema. O problema é maior.

Esta questão faz-me lembrar uma pergunta que uma vez fizeram a Jesus: «Dizei-me, mestre, é lícito curar no Sábado?» É obrigatório curar… Mas a subnutrição, o desenvolvimento da pessoa, o trabalho de escravidão, a falta de água potável, estes são os problemas. Não falemos sobre se a pessoa pode usar este ou aqueloutro tipo de penso [cerotto] para uma pequena ferida, a grande ferida é a injustiça social, a injustiça ambiental…»

Assim, parecestes aceitar que há espaço para consideração deste “método”, embora o vejais como algo um tanto trivial (um penso), embora facilite a fornicação e uma cultura de inteira depravação sexual. A seguir subordinastes a lei moral à preocupação pela justiça social e ambiental! E assim, mais uma vez, a Igreja é ferida pelo escândalo e confusão por causa do vosso hábito de descuidados e imprudentes comentários à imprensa em questões de alto nível moral e teológico, a respeito das quais um papa deverá falar ou escrever com suma prudência e ponderação, invocando a assistência divina.

Finalmente, acabou de ser publicada no site do Vaticano uma entrevista de Vossa Santidade pelo semanário Credere, na qual fazeis alusão (ainda mais uma vez) à falsa noção de “misericórdia” do Cardeal Kasper, e divulgais que tendes a intenção de dirigir uma “revolução de ternura” – uma alusão ao título do livro do Cardeal Kasper em vosso louvor: A Revolução de Ternura e Amor do Papa Francisco. Declarais que esta “revolução de ternura” terá lugar durante o vosso Jubileu de Misericórdia, que conterá «uns quantos gestos», incluindo «um gesto diferente» numa «sexta-feira de cada mês».

O motivo que alegais para a “revolução de ternura” é que, na vossa opinião, «a própria Igreja às vezes segue um caminho rígido, cai na tentação de seguir um caminho rígido, na tentação de afirmar unicamente as regras morais, muitas pessoas são excluídas.» Confirmando a sugestão do entrevistador de que a Igreja tem de “descobrir” um «Deus que se comove e tem compaixão do homem», vós respondeis: «Descobrindo-o levar-nos-á a ter uma atitude mais tolerante, mais paciente, mais ternurosa» - como se a Igreja tivesse tido falta de paciência e compaixão pelos pecadores antes da vossa eleição.

O que são estas espantosas declarações, senão uma ameaça absolutamente sem precedentes por parte de um Sumo Pontífice, de ignorar as “leis morais” – isto é, o ensinamento perene do Magistério infalível – em nome de uma falsa misericórdia, obviamente a respeito dos divorciados e “recasados”, e outros que entendeis serem dalguma forma “excluídos”? Que havemos de pensar dum papa que alega que a Igreja fundada por Cristo para ensinar infalivelmente a respeito da fé e da moral, “caíu” na tentação de tomar o “caminho rígido” na moral? O que hão-de sentir os fiéis, senão horror, quando um papa diz tais coisas, que nunca foram ouvidas da Sé de Pedro em 2000 anos?

Os católicos sabem que uma verdadeira revolução de ternura ocorre em toda a alma que aceita o Baptismo ou que, correspondendo à graça do arrependimento, entra no confessionário com um firme propósito de emenda e um coração contrito, desfaz-se do fardo do pecado, recebe a absolvição dum sacerdote agindo in persona Christi, e emerge “branco como a neve”, para citar o vosso próprio predecessor quando falava do Sacramento da Confissão. A Igreja Católica tem sido sempre uma fonte inesgotável de misericórdia Divina por meio dos seus sacramentos. O que é que pode a vossa proposta “revolução” adicionar ao que Cristo já providenciou à Sua Igreja? Podeis declarar amnestia ao pecado mortal? Podeis perdoar aquilo que não é perdoável sem arrependimento e contrição? Podeis exceder a misericórdia do próprio Deus?

Cresce a cada dia a percepção de que embora sejais o Vigário de Cristo, não tendes qualquer interesse em defender a fé e a moral, que estão sob ataque como nunca dantes, nem tendes qualquer intenção de chamar as ovelhas perdidas ao rebanho que Nosso Senhor estabeleceu para sua salvação. Pelo contrário, pareceis ter devotado o vosso pontificado a um verdadeiro programa de relaxamento doutrinal e disciplinar, cujo tema é a frequente denunciação de católicos ortodoxos, combinada com acusações de que a Igreja tem falta de misericórdia. Ao mesmo tempo, aderis a assuntos sociais e políticos nos quais um papa não tem qualquer competência ou autoridade, tais como “a alteração climática”, ambientalismo, e o restauro de relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos.

Com tanto serem esbofeteados por tempestades de controvérsias umas a seguir às outras, ocasionadas pelas vossas palavras e actos sem precedentes, os fiéis sentem cada vez mais que «a barca da Igreja perdeu a bússola».

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Em suma, Santo Padre, ao longo dos últimos dois anos e meio, vós obtivestes o unânime louvor do mundo, enquanto lançais o bem-comum eclesiástico num estado de confusão e divisão. Vós ridicularizastes, censurastes e condenastes os ortodoxos, mostrando tolerância ilimitada para com os heterodoxos e os devassos, e maquinando para subverter a disciplina sacramental defendida pelo próprio papa que declarastes santo. Acompanhado em todo o lado pela adulação da imprensa e o clamor das multidões, pareceis esquecer a admoestação de Nosso Senhor: «Ai de vós quando os homens vos bendizerem: porque assim fizeram os seus pais aos falsos profetas».

A situação chegou ao ponto de um oficial superior do Vaticano, reflectindo as preocupações de católicos de todas as classes, foi constrangido a avisar um jornalista católico mundialmente conhecido que: «Este pontificado coloca sérios riscos à integridade do ensinamento Católico em questões de fé e moral».

Concordando com este prelado, somos obrigados diante de Deus de declarar publicamente, em consciência, que o vosso pontificado só pode ser visto como um claro e actual perigo para a Igreja, um perigo que parece aumentar a cada dia que passa. De facto, os efeitos prejudiciais do vosso pontificado são patentes por toda a parte, com católicos por todo o mundo rejeitando cada vez mais os ensinamentos da Igreja em questões de fé e moral, tomando como ponto de referência as vossas próprias palavras e actos – jubilosamente alardeados ao mundo pela imprensa – em vez do ensinamento infalível do Magistério, tanto em matérias de fé como em moral, dadas nos últimos 2000 anos.

Agora, ao mesmo tempo que condenais o “caminho rígido” da Igreja em “regras morais” e proclamais uma “revolução de ternura”, somos confrontados com a ameaça iminente de inauditos “gestos” de “misericórdia” que comprometem o edifício moral da Igreja para grande perigo das almas, cuja salvação está em jogo. Dentre estes gestos parece estar uma exortação apostólica pós-sinodal autorizando a admissão de adúlteros públicos à Sagrada Comunhão, de acordo com o juízo de bispos individuais ou conferências episcopais. Isto implicaria nada menos do que o sacrilégio em massa, a destruição prática da unidade da Igreja, a abolição de facto da doutrina sobre o pecado original e a necessidade do estado de graça para a vida sacramental, o colapso do ensinamento moral da Igreja, e ultimamente a entrega da sua reivindicação a um Magistério infalível. Tem-se o sentimento de uma reviravolta apocalíptica na história da Igreja.

Não nos atrevemos a julgar os vossos motivos subjectivos ou intenções a respeito do que tendes feito e dito para dano da Igreja no decurso dum pontificado turbulento, como nenhum outro. Mas não podemos permanecer em silêncio à face do dano objectivo que a Igreja já sofreu, para o interminável louvor do “papa do povo”, ou do dano por vir, que parece estar agora iminente.

Lembrando mais uma vez as palavras do vosso predecessor, um papa deve exercer o seu poder de forma a «submeter-se constantemente, a si e à Igreja, à obediência à Palavra de Deus, contra qualquer tentativa de adaptá-la ou diluí-la, e toda a forma de oportunismo». Quando um papa é incapaz ou pouco disposto a seguir tal curso, e quando parece mesmo determinado a seguir o caminho oposto, não seria a Igreja mais bem servida se ele abandonasse esse mais augusto ofício, o de Vigário de Cristo? É melhor isso do que arriscar um compromisso fatal da doutrina e disciplina da Igreja, subvertendo 2000 anos de tradição apostólica e eclesiástica, e incorrendo, para citar a famosa máxima do Papa S. Pio V, «na ira de Deus Todo-Poderoso e dos santos Apóstolos Pedro e Paulo.»

8 de Dezembro de 2015
Festa da Imaculada Conceição
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